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Corrida Contra o Tempo

Corrida Contra o Tempo

18
Jul18

A Culpa é Tua

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     "Querida Bela, 

      Esta carta que te escrevo não é um pedido de desculpas, é para te ajudar a perceber que a culpa foi tua. Eu encontrei-te fragmentada e prometi-te ajudar-te a reconstruir-te, mas devias saber que ia tentar moldar-te a mim, quem manda não te bastares a ti própria?! Fiz-te mil e uma promessas, era suposto teres percebido que te estava a prometer falhar. Escrevi-te lindas palavras, mas não te impedi de leres o que estava nas entrelinhas. Convenci-te a acreditares no amor só que nunca te dei garantias de que eu acreditava. Foste tu que me deixaste arranjar um espaço no teu coração, eu nem pretendia ficar. Essas lágrimas que verteste por mim eram tão evitáveis, bastava não teres confiado em mim. És das mulheres mais focadas que já conheci, como é que não te apercebeste que te pretendia desfocar?! A culpa é tua  por teres-me feito querer-te, nunca foi o meu objetivo ter-te. Já sabias que isto teria um desfecho trágico, só quis corresponder às tuas expectativas. Eu não te desiludi, tu é que me deixaste iludir-te. Fizeste-me sentir triste por não teres feito o  impossível por mim. Tu devias ter lutado por mim e por ti, o meu papel era apenas ver-te lutar. Afinal de contas, quem ama de verdade pode amar pelos dois. Portanto, a culpa é tua.

     Espero ter conseguido ajudar, não precisas de agradecer.

      Beijinhos, o Monstro.

      PS: Amo-te!"

22
Jun18

Areias Movediças

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        A noite já não era uma criança e eu ainda refletia sobre o porquê de não ter resultado algo entre nós. Parecia tão forte o que nos unia que ignorava o que nos afastava. Quando dei por ti, estavas longe da vista e longe do coração. Ainda te procurei, tentei dar-te uma segunda chance... Devia saber que segundas oportunidades dadas sem sequer terem sido pedidas não resultam. No fundo, era a mim mesma que dava mais uma oportunidade... Não para ser feliz, mas para não constatar o quão infeliz tenho estado. Tudo o que eu construía era sozinha e mesmo sendo uma casa de tijolo, tu derrubava-la só com um sopro. Durante muito tempo pensei que tu eras especial, daí conseguires essa proeza. Tudo mudou no dia em que me dei ao trabalho de exigir honestidade a mim própria. Respirei fundo. Ía ser um percurso acidentado. Já na reta final, quase a cortar a meta do abismo que me esperava, compreendi o que se passava. O problema não estava na estrutura da casa, mas sim onde eu a decidira construir. Não quis trazer nada a não ser a roupa que tinha no corpo e o sorriso adormecido no rosto. O resto eu deixei para trás, sempre ouvi dizer que ninguém merece viver de restos. Demorei o que pareceu uma eternidade, mas aprendi que não se deve construir uma casa em cima de areias movediças.

 

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